Estalos nas articulações: Devo preocupar-me?
É provável que já tenha ouvido um estalo ao levantar-se, subir escadas, mexer o pescoço ou simplesmente estalar os dedos. Estes sons são muito comuns e, na maioria das situações, não significam necessariamente que exista um problema na articulação.
Mas então porque é que as articulações estalam? E quando é que um estalo deve ser motivo de preocupação?
Neste artigo, explicamos o que pode estar por detrás dos diferentes sons articulares e em que situações é aconselhável procurar avaliação profissional.
Porque é que as articulações estalam?
Os sons que ouvimos durante o movimento das articulações podem ter diferentes origens.
Um dos mecanismos mais conhecidos está relacionado com a chamada cavitação articular. Quando manipulamos determinadas articulações, como acontece frequentemente ao estalar os dedos, podem ocorrer alterações rápidas dentro do líquido sinovial (fluído que lubrifica as articulações) da articulação, associadas à formação de uma cavidade gasosa que produz o característico som de “estalo”.
Por exemplo, quando puxamos ou dobramos o dedo, o espaço na articulação cresce e o gás liberta-se em forma de bolha. O som do estalo surge do rebentar rápido dessa bolha de gás. Normalmente demora cerca de 20 minutos até o gás se dissolver de novo e conseguirmos voltar a estalar o mesmo dedo.
No entanto, nem todos os estalos têm a mesma origem.
Um “clique” ou “estalido” pode também estar relacionado com o movimento de tendões ou ligamentos sobre estruturas ósseas. Já sons mais semelhantes a crepitação, rangido ou “areia” podem ocorrer por diferentes alterações nas superfícies articulares ou nos tecidos envolventes.
Por isso, ouvir um estalo não permite, por si só, determinar se existe uma lesão ou uma doença articular.
Estalar os dedos faz mal?
Esta é provavelmente uma das perguntas mais frequentes quando falamos de estalos nas articulações.
Durante muitos anos, foi comum ouvir dizer que estalar os dedos provocava artrose. Contudo, a evidência disponível não demonstra que o hábito de estalar os dedos seja um fator de risco para osteoartrose da mão.
Assim, o simples facto de uma articulação estalar não significa que esteja a ser “desgastada”.

Tenho estalos, mas não tenho dor. Devo preocupar-me?
Na ausência de outros sintomas, um estalo isolado é frequentemente pouco preocupante.
Por exemplo, é possível ouvir estalos no joelho durante movimentos como agachar, subir escadas ou levantar-se de uma cadeira sem que isso signifique necessariamente que existe uma lesão.
O mais importante não é apenas “se a articulação estala”, mas sim perceber o contexto em que esse estalo acontece.
Quando é que os estalos podem ser motivo de preocupação?
Um estalo merece maior atenção quando surge acompanhado por outros sintomas.
É aconselhável procurar avaliação quando os estalos estão associados a:
Dor durante ou depois do movimento;
Inchaço da articulação;
Sensação de bloqueio ou de que a articulação fica presa;
Sensação de instabilidade ou de que a articulação “cede”;
Diminuição da amplitude de movimento;
Perda de força;
Estalos que surgiram depois de uma queda, entorse ou outra lesão;
Sintomas que estão a piorar progressivamente.
Nestes casos, o som pode ser apenas uma parte de um quadro mais abrangente e é importante perceber a causa dos sintomas.
Estalos significam desgaste das articulações?
Não necessariamente.
É importante distinguir entre um ruído articular isolado e um conjunto de sintomas associados a uma determinada condição.
Na osteoartrose, por exemplo, podem existir dor, rigidez, limitação de movimento, inchaço e crepitação. Os ruídos podem fazer parte do quadro, mas não são, por si só, suficientes para estabelecer um diagnóstico.
Por isso, ouvir um “crack” ao movimentar o joelho não significa automaticamente que exista desgaste da cartilagem.
Como pode a fisioterapia ajudar?
Quando existem estalos acompanhados de dor ou outros sintomas, uma avaliação de fisioterapia pode ajudar a perceber o que está a acontecer.
O fisioterapeuta pode avaliar, entre outros aspetos:
Mobilidade das articulações;
Força muscular;
Controlo e coordenação do movimento;
Estabilidade articular;
Comportamento dos sintomas durante diferentes movimentos;
História de lesões anteriores;
Impacto dos sintomas nas atividades do dia a dia.
A partir desta avaliação, poderá ser definido um plano de intervenção adequado à situação de cada pessoa.
O objetivo não é necessariamente eliminar o estalo. Quando o ruído não está associado a um problema, não existe obrigatoriamente necessidade de o “tratar”. O objetivo é perceber se existe alguma alteração que esteja a contribuir para a dor, limitação ou perda de função e atuar sobre aquilo que realmente está a afetar a pessoa.
A fisioterapia músculo-esquelética pode abordar diversas condições que afetam articulações, músculos, tendões e ligamentos.

O objetivo não é necessariamente eliminar o estalo. Quando o ruído não está associado a um problema, não existe obrigatoriamente necessidade de o “tratar”. O objetivo é perceber se existe alguma alteração que esteja a contribuir para a dor, limitação ou perda de função e atuar sobre aquilo que realmente está a afetar a pessoa.
A fisioterapia músculo-esquelética pode abordar diversas condições que afetam articulações, músculos, tendões e ligamentos.

Em resumo: quando devo preocupar-me com um estalo?
Um estalo ocasional e sem dor não significa necessariamente que exista um problema.
No entanto, se o estalo surgir acompanhado de dor, inchaço, bloqueio, instabilidade, perda de força ou limitação de movimento, é importante procurar uma avaliação adequada.
Mais importante do que perguntar apenas “porque é que a minha articulação estala?” é perguntar:
“O estalo está associado a algum outro sintoma ou alteração na minha função?”
É essa diferença que ajuda a perceber se estamos perante um fenómeno normal ou perante uma situação que merece ser avaliada.
Se tem estalos articulares acompanhados de dor ou dificuldade em realizar determinados movimentos, uma avaliação individualizada poderá ajudar a identificar a origem dos sintomas e a definir a melhor abordagem.
Na Physiokinesis, a fisioterapia músculo-esquelética é direcionada para a avaliação e tratamento de diferentes problemas do sistema músculo-esquelético, com o objetivo de melhorar a função e a qualidade de vida.
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